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terça-feira, janeiro 11

Para entender a dinâmica do Twitter e as práticas nas redes sociais

O que mais tenho visto na internet são pessoas tentando explicar as funcionalidades do Twitter ou tentando descrever boas estratégias a fim de auxiliar aqueles que não fazem idéia de por onde começar, mas que estão tentando apreendê-las. Acredito que essas tentativas sejam válidas, tanto de um lado, quanto do outro. Porém, creio que estejam pulando uma etapa importante, que é a de compreender como se chegou nesse ponto em que "Tuitar é preciso", a que se deve essa cultura de interação online, e como essa prática pode (ou deveria) ser usufruída pelas organizações.
Foi pensando nisso que percebi que algo sobre o sucesso do Twitter. Lembrei de como se formou a cultura de “criar uma comunidade” no Orkut. Percebi que a apropriação dessa ferramenta foi a mesma que desencadeou o sucesso do microblog. Lembro de vários “orkuteiros” que ao viverem uma situação inusitada, diziam: “vou criar uma comunidade sobre isso” e de fato o faziam e, quando a idéia era muito boa, a comunidade ficava popular rapidamente. Foi assim que surgiram aquelas comunidades mais clássicas de “Odeio...” e “Amo...”. Isso denota a necessidade que as pessoas têm de expressar o que sentem “eternizando” (ainda que muitas pessoas não se dêem conta disso) a sua opinião na web, para que todos a conheçam de alguma forma.
Partindo desse pressuposto fica bem mais fácil compreender o sucesso do Twitter. Pense: mensagens curtas, sobre determinada situação, sentimento ou notícia, expressada por uma pessoa e que pode facilmente ser reproduzida por tantas outras, permitindo réplicas e tréplicas (e até processos judiciais, dependendo do conteúdo do comentário), fazendo-se notar num espaço comum.
A diversão máxima para muitas pessoas no Orkut sempre foi colecionar comunidades que dissessem tudo no título, ou no máximo nas primeiras linhas da sua descrição. Entendo esse comportamento como uma necessidade do indivíduo de dizer quem ele é, expressando como se sente, do que gosta ou não, ou o que pensa.
Sob esse ponto de vista, o Twitter era uma necessidade latente e veio para atendê-la. A (des)vantagem desta ferramenta é que, além de noticiar para toda rede as suas impressões, o usuário tem uma timeline curta, que dá a ilusão de que em pouco tempo, com o passar dos dias, os seus posts se perderão na memória dos leitores. Porém, essa “construção” online deixa rastros muito mais fortes do que no Orkut, visto que vai delineando a personalidade do usuário através do tempo em seus discursos. Mas, é verdade também que pela timeline ser curta e a quantidade de informações circulando muito intensa, muitas idéias (boas ou ruins) acabam se perdendo.


Lançando mão da visão de “puro entretenimento” dessas mídias, penso que esses são espaços de muitas oportunidades profissionais. Entretanto, que exigem conhecimento empírico unido ao de estratégias de comunicação muito bem definidas. Algumas delas eu aproveito para descrever a seguir.
A lógica salta aos olhos e a palavra mágica é “construção”. O sucesso de um perfil numa rede social mediada por computador vai depender de quão bem elaborada for a atuação, de quão bem adequado está o discurso e as interações de um usuário naquele meio, entre as pessoas que ele estiver atraindo. Essa última afirmação, inclusive, demonstra que é preciso saber quem se quer conquistar para um perfil e então planejar o que dizer. Ou seja, definir a estratégia é fundamental.
Além disso, se o perfil que deseja atrair olhares online for de uma empresa, ela precisará abrir mão da sua posição de “pessoa jurídica” e “ser” uma pessoa comum. Empresa e públicos precisam compreender/sentir que existe uma pessoa por trás da máquina, que é a sua representação online. Essa humanização é requisito básico nas “redes sociais”, porque é um espaço de pessoas que se relacionam. A rede tem regras, as quais devem ser respeitadas. Elas dizem respeito a condutas muito simples: envolve “quem diz o que para quem” (do bom e velho Laswell) somados a “quando” e “porque”.
E aqui chego a mais uma palavra chave para o planejamento nas redes sociais: “porque”. Quando a proposta de um perfil é clara, o conteúdo adequado e relevante, os seguidores, cientes do seu propósito o seguirão porque se identificam com ele. Esse posicionamento desperta para a resposta daquele problema que levantei anteriormente "qual a freqüência certa para o Twitter?", por exemplo. O que percebo é que quando a proposta do perfil é coerente e adequada, as pessoas não só retuitam as informações recebidas, como tecem comentários readequando-as para compartilhar em sua rede. Esse hábito potencializa a informação tuitada, uma vez que ao ser adaptada para outro perfil de público, a mensagem sensibilizará um número maior de pessoas para aquele tema.
O que pretendi mostrar nesse artigo é que a socialização para fins profissionais, seja através da comunicação direta, pessoal, ou por meio do computador, requer experiência. É preciso entender o processo de formação das redes sociais na internet, não só a linguagem, mas também as suas regras, suas tendências, para que estratégias de comunicação dêem certo. O olhar do comunicador para o meio digital precisa distanciar-se daquilo que ele está habituado, precisa resgatar as suas formas pessoais de relacionamento. Ele precisa, acima de tudo, estar ambientado com esse meio para conseguir juntar o seu conhecimento de comunicação e convertê-la adequadamente para a interação online.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá Dani,

    Muito bom o artigo. Concordo com vc, as pessoas têm primeiro que entender o ambiente que estão entrando, planejar o que pretende fazer para depois agir, o que normalmente não acontece, e por isso muitas vezes são quebradas regras ou então feitas condutas inapropriadas para aquele ambiente, ou pode ser gerado frustação em uma ação por falta de planejamento...

    Abraços
    Ricardo

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