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Desprenda-se do digital, do Marketing, concentre-se nas pessoas.


Este texto pretende apresentar o case “Bicho de Rua”. Um trabalho realizado na ONG Projeto Bicho de Rua, na qual pessoas estão trabalhando pelo bem estar animal. Experiência que propicia a reflexão para o uso das ditas “mídias sociais”, caracterizando-as apenas como ferramentas para atingir pessoas. Logo, o texto servirá não apenas como exemplo a outros projetos desenvolvidos no terceiro setor, mas também aos demais trabalhos desenvolvidos por profissionais de comunicação que atuam em ambientes digitais.

Da minha experiência em comunicação nos ambientes digitais, sempre percebo o óbvio: que não se tratam das mídias que se utiliza para formar as redes de influência. Como disse Sonia Grisolia: “Tudo começa e termina nas pessoas e suas ideias. O resto é apenas meio”. O que me pergunto é: porque o que nos parece tão óbvio, parece tão complicado para tantas outras pessoas?

Costumo pensar nas redes sociais mediadas por computador como um meio que reúne, agrupa e organiza correntes ideológicas. Cada um de nós possui uma bagagem sem medida de experiências, expectativas, cotidiano, e um sem fim de idéias formadas, ou por formar, em nossas mentes. E o que faz mover essas correntes, perturbando as idéias, é a paixão. Só este sentimento é capaz de motivar as pessoas a iniciarem ou inflarem um diálogo em que todos falam para todos, em que poucos ouvem ou se deixam influenciar. É a paixão que faz de uma pessoa uma mídia, capaz de envolver e atrair outros, e outros, e cada vez mais apaixonados aproximando-os de uma causa. Esta causa pode ser o amor pelo cinema, pelo futebol, pelo que for, pouco importa o quê. Contanto que naquele ambiente “um indivíduo” possa fazer parte de algo maior, e que este algo seja o que ele precisa naquele momento – de uma piada, a um protesto.

Ao voltar o nosso olhar do digital para o mundo “offline”, percebe-se que aquele ambiente é feito pelas mesmas pessoas com quem trabalhamos, estudamos ou que encontramos nos elevadores de prédios comerciais. São pessoas comuns – o mundo dito “digital” nada mais é do que um meio em que as pessoas podem se reunir sem precisar deixar a sua vida “offline” suspensa. Isso quer dizer que os públicos, independentemente do nicho de mercado da empresa, está participando de alguma rede e que é importante as empresas estarem atentas? Não! Isso significa “apenas” que todas as pessoas são movidas por alguma paixão. Assim, o sucesso de uma empresa que se proponha aconquistar o seu cliente (isso independe do meio), precisa compreender, conhecer ou, no mínimo, se preocupar e respeitar esta condição.


Aprenda com as ONGs!

Na ONG Projeto Bicho de Rua, por exemplo, o que se quer é distribuir animais para adoção. Se quer que as pessoas doem dinheiro, o seu tempo, o seu RT, que “curtam” suas publicações por “nada”. É como no marketing comercial, só que neste caso, a troca é por satisfação. Quem ama os animais doa tudo o que puder e sempre acredita que deveria fazer muito mais.

E como a Bicho de Rua arrecada dinheiro, objetos, comida, como consegue adoção para os animais? Dialogando. Construindo relacionamentos verdadeiros, hora com muito bom humor, hora compartilhando uma história triste, mas sempre mostrando uma solução para o problema. Através do perfil de uma ONG, as pessoas podem e geralmente são, humanas. Admitem o erro, perguntam, ouvem, observam o que as pessoas querem, e procuram atender a essas necessidades. Percebem? Isso é marketing. Porém, um relacionamento que não visa exclusivamente o lucro de quem vende, mas que respeita e que se preocupa em atender a necessidade de quem compra.

É bastante comum ver ativistas radicais em ONGs mostrando apenas o lado ruim de tudo, oferecendo quase nada além das mazelas em troca de piedade – e conseguem. As pessoas morrem de pena, mas pouco contribuem. Não podem acreditar que o pouco que elas podem vá fazer alguma diferença. O trabalho do Bicho de Rua diferencia-se por oferecer o que as pessoas querem ver: quem gosta de animais, quer vê-los saudáveis, quer saber que cada adoção é importante, que cada anúncio é essencial, e que prestar atenção ou ter piedade não basta, ela precisa reagir: dar um RT, curtir, comentar, oferecer, sugerir… E quando isso acontece, as pessoas se identificam, sentem-se felizes por ajudar como podem, e ajudam.

A programação de posts e tuítes pelos perfis da ONG é produzida constantemente observando o problema (as necessidades dos animais), e a resposta dos públicos a cada interação, visando a solução deste problema. Foi assim que se percebeu que a piedade comove, mas o que mobiliza as pessoas é a paixão. Então, é preciso envolvê-las no processo. Desde o princípio foi-se mudando a estratégia para manter a atenção e as doações. A medida certa ainda não foi, e nem deve ser encontrada. Mas, a cada correção, percebe-se a diferença pelos resultados que se obtém.
E neste ponto, as ONGs precisam aprender com o Marketing Comercial: é preciso estabelecer um objetivo claro e fazer um diagnóstico completo para saber de onde se partiu e depois avaliar os resultados. Pois é o acompanhamento e a avaliação constante que garante a mudança na hora certa e os melhores resultados. Ou seja, o trabalho nos meios digitais não deve ser engessado, pois a rede é feita por pessoas – não se trata de uma equação exata.


Cuidados e práticas: quem vai cuidar das redes sociais?


Quem vai cuidar das redes sociais na internet e responder por uma empresa, por uma marca ou instituição? Estar presente no Twitter, Facebook ou Foursquare, ter experiência com outras organizações é o suficiente para um profissional fazer o bom uso destes canais?

Venho reforçando a ideia de que o trabalho de mediador entre a empresa e seus públicos nas redes sociais da internet não deve ser realizada por qualquer um, que deve ser diferenciado e ter objetivos claros. Esse trabalho requer profissionalismo, visão estratégica e diversos outros conhecimentos e expertises. Desta vez, quero falar de um outro fator que deve ser levado em conta ao contratar um profissional para esta função.

Antes disso, retomo algumas questões básicas: o que acontece nos ambientes sociais na internet é uma conversa entre pessoas. Assim, envolver-se em polêmicas não é muito difícil. Quando se interage com muitas pessoas, sempre pode ocorrer divergências nas opiniões. Entre “amigos” acontece a troca de ideias e pontos de vista, eles se perturbam um ao outro podendo provocar alguma mudança ou não. Outro ponto é que em um ambiente social as pessoas são observadas o tempo inteiro, e aquelas que agem de forma inadequada, ou que desagrade os demais, acabam sendo isoladas, ignoradas e, na pior das hipóteses, difamadas.

E é por não saber como lidar com estas situações que aquelas empresas que compreendem as possibilidades e riscos nessas redes acabam desperdiçando oportunidades. O erro ocorre ao estabelecer os parâmetros no momento da contratação do profissional que estará mediando a comunicação com esse público específico. É tão errado contratar um profissional exclusivamente pelo seu conhecimento técnico – seja de web ou de comunicação – quanto aqueles que demonstrem dominar essas redes pela atuação em seus perfis pessoais. O fato é que uma marca precisa se adequar ao que o público espera dela, assim, está presença online não pode ser regida apenas a partir de perspectivas de uma pessoa.

A web nos meios “sociais” é um ambiente hostil, e a atuação de uma empresa neste ambiente envolve uma infinidade de parâmetros que devem ser observados, sendo o principal deles a dinâmica de funcionamento de cada rede. E isso independe do que a empresa quer. O profissional por trás destas ferramentas precisa estar atento a tudo isso e agir somente depois de conhecer a empresa e os públicos com ela envolvidos. Neste ponto, pouco importa as experiências adquiridas em ações pessoais ou vividas por outras empresas.

Para que serve uma empresa estar nas redes sociais? Para ser amiga? Não. Para fazer deste mais um canal de vendas? Tão pouco. A principal razão para uma empresa estar nas redes sociais deveria ser aproximar-se do seu público. Isso significa conhecer as pessoas que simpatizam com o tipo de negócio da empresa. Saber como elas pensam, o que elas querem, para que elas digam se as práticas comerciais estão adequadas, ou como podem melhorar. Ou seja, esta é uma fonte de pesquisa diferenciada.

E como fazer isso de forma eficaz? Identificando o melhor canal, ou seja: onde as pessoas estão, como elas se comportam, para então verificar as oportunidades, entrar para esse meio, seguir as regras daquele ambiente e, a partir daí, interagir com essas pessoas de forma que elas possam dizer como a organização deve atuar para conquistar a sua confiança. Uma vez estabelecido esse relacionamento, a empresa terá tudo o que precisa para uma atuação eficaz, valorizando a sua marca ou para atingir o propósito de estar naquele ambiente.

Assim, se o profissional contratado não entender de pessoas, de como elas se relacionam, se ele não entender do seu negócio e das pessoas para quem a empresa trabalha – não será o domínio de softwares e ferramentas web, experiências anteriores ou especializações que fará de uma marca um sucesso nas redes sociais da internet.


Será o Twitter e/ou o Facebook o novo Tamagoshi?

Compartilho aqui, mais um texto meu publicado no Midiatismo.


Às vezes tenho a impressão de que sim. As mídias sociais são vistas pela maioria das pessoas com poder de decisão dentro das organizações como um bichinho virtual, que tem programa solicitando certas ações, dentre elas o de ser observado e alimentado.

Foi essa a conclusão que tirei após algumas experiências nesse verão. Com o intuito de verificar como estava o mercado para web writing ou analista de mídias sociais, fui fazer uma “pesquisa de campo”. E tirei algumas conclusões bem preocupantes. As pessoas incumbidas de contratar, na maioria dos casos, sequer tinha uma vaga noção do que o profissional a ser contratado faria ao assumir o cargo que estava sendo oferecido. Em geral, os cargos eram oferecidos a estagiários que, entre uma “tarefinha” e outra, teria como “atividade complementar” “alimentar” o Twitter, o Facebook e alguma outra rede em que a empresa estivesse inserida.

Em todos os casos, mesmo quando a vaga era para efetivo, o salário era a prova mais clara de que aquelas pessoas/empresas não entenderam ainda para que serve afinal estar nessas redes sociais. Para eles tudo é uma questão de fazer bonito no ambiente online e dar condições a um qualquer ter o “emprego dos sonhos” ganhando dinheiro por “nada”. Afinal, é só ir lá e digitar umas promoções, trechos do jornal da empresa ou qualquer informação para aparecer online.

Essa constatação é ruim para os profissionais que já estão no mercado, mas será muito pior para essas empresas quando as “pessoas” se derem conta da gafe que cometeram. Quero deixar claro que não tenho, em absoluto, nada contra estagiários – é uma bela forma de conhecer o mercado de trabalho, a área escolhida e tudo mais.

Mas, ninguém aprende sozinho a menos que tenha muita maturidade e muito foco naquilo em que acredita. Mesmo assim, aprender sozinho requer cometer alguns erros até chegar ao ponto desejado. E a primeira lição de quem trabalha com mídias sociais é que ela não permite erros. Uma vez postado, o texto já caiu na rede e não tem “CTRL + Z” que dê jeito. Assim, dependendo da organização que estiver por trás daquele perfil, pode ser a reputação de anos jogada fora e muito investimento para contornar, e só eventualmente, reverter o quadro.

O porque de investir nessa área, como atuar, como monitorar, porque interagir, o que oferecer, porque oferecer, essas e ouras dúvidas estão explicitas em uma infinidade de blogs espalhados pela web, alguns deles excelentes, por sinal. Ser elegante, educado, consistente e relevante é questão de bom senso, e poucos têm essa noção. Entretanto, nem mesmo com todas essas virtudes reunidas seria o suficiente para um bom desempenho no ambiente digital.

Ter tudo isso garante que seu tamagoshi, digo: perfil, será bem alimentado. O ideal, contudo, é que a atuação nas mídias sociais seja ditada pela prática do seu plano de marketing para que se verifique o investimento e o retorno. Mas, acima de tudo, é preciso compreender que não é o Twitter que vai determinar o próximo passo (como o tamagoshi o fazia), mas as pessoas que lá estão. Pois a rede está viva, pulsa em todas aquelas linhas explicitamente o que cada uma delas espera de você. Pense nisso!



Uma reflexão sobre Branding e RP 2.0 nas Mídias Sociais


Para quem pouco sabe sobre estes temas, e/ou ainda não compreendeu em que as redes sociais podem contribuir nesse processo.

As formas de acompanhar uma marca mudaram, e isso não é mais novidade. Se antes o público “ouvia a história” de uma marca apenas pelo que ela dizia nas mídias tradicionais, como na propaganda convencional, fosse ela veiculada na TV, jornal, revistas ou outdoors - em que se sabia  com mais clareza que eram usadas estratégias persuasivas – hoje, com as mídias sociais, ela tem a possibilidade de mostrar o seu lado "humanizado", construído dia a dia e “comprovado” por aqueles que a acompanharem diariamente. Este pode ser um fator positivo, se a gestão do conteúdo for estabelecido a partir de estratégias de relacionamento com o seu público, agora "fãs", "amigos" ou "seguidores". 

Independentemente do nome que se dê a esse público, é uma audiência “fiel” e que está ali porque tem interesse em “ouvir” aquela história. É nesse ponto que as mídias sociais se tornam um diferencial interessante para complementar uma estratégia de “branding” no meio digital, visto que a marca pode se mostrar interessante, produzindo o conteúdo que envolva e cative o seu público. Além de saber quem o está “ouvindo”, o acompanhamento do processo é facilitado pelo caráter imediatista dessas redes. Assim, os gestores da marca terão retorno imediato, conhecendo as impressões e, principalmente, a opinião do seu público-alvo. Este fator permite que se mude a estratégia, ou que se amplie alguma ação conforme os resultados obtidos.

Além disso, as referências que o consumidor tem para a formação da identidade de uma marca são, de modo geral, os "sinais" que as empresas produzem e as interpretações a partir do que outras pessoas dizem. Nas redes sociais mediadas por computador temos inúmeras pessoas "falando" e se relacionando umas com as outras, expressando suas opiniões, compartilhando-as como forma de indicar ou desaconselhar a experiência a outras pessoas.

São muitas as pessoas que usam a internet como forma de obter opiniões alheias sobre produtos, serviços, marcas, empresas... Sendo assim, o ambiente virtual em que "todos dizem o que bem entendem para o conhecimento de qualquer um", tornou-se um campo de pesquisa de proporções infinitas para conhecer o consumidor, para avaliar a percepção que fazem de determinada marca, produto ou serviço. Esse ambiente, por ser tão "democrático" permite que a empresa intervenha no que está “circulando” pela internet adicionando elementos à discussão, não controlando, mas participando da formação de opinião daqueles que por ela procurarem.

Essas duas características por si só já seriam um grande avanço para a comunicação, seja ela trabalhada pelos relações públicas, para atuação do marketing ou de branding... Contudo, vejo na possibilidade de a marca se relacionar com as pessoas o ponto máximo da participação nesses meios como estratégia de comunicação. Porque, se as pessoas buscam informações para formar a sua opinião, terão a oportunidade de ouvir ambos os lados: empresa e clientes. E se a empresa estiver lá, aberta a conversação com esses clientes denotando uma "harmonia" entre eles, certamente produzirá um sentimento de simpatia por aquela marca.

Outra possibilidade é o contato freqüente da marca com as pessoas. E não necessariamente apenas com aquelas com quem está se trabalhando um relacionamento direto. Numa rede como o Twitter, por exemplo, ao falar com alguém, todos que seguem aquele perfil acompanham esse diálogo. Assim, a marca estará se fixando e produzindo sentidos, comunicando indiretamente para alguém que talvez não tenha qualquer opinião ou interesse pela empresa em questão.

Essa produção de sentidos vai construindo uma idéia, vai formando uma imagem quase que imperceptível para aquelas pessoas. Ou seja, elas não apenas saberão da existência daquela empresa, como terão elementos para formar uma opinião. Se a imagem formada for positiva (e é o que se espera num caso de participação ativa da organização com esse fim), certamente aquela marca concorrerá no processo de decisão destas pessoas quando houver a necessidade, ou quando lhe forem solicitada alguma sugestão.

Assim, a pesquisa, o acompanhamento, a forma de fazer branding ou RP 2.0, por exemplo, permanece a mesma. Porém têm-se novas ferramentas para a construção da marca através dos meios digitais. Atividade que conta com a percepção do profissional - e menciono aqui o  de relações públicas por ser estudante dessa área - o qual deve estar atento às mudanças em todas as facetas pelas quais uma empresa pode ser exposta/ou se expõe, comunicando-se intencionalmente ou não, acompanhando tendências e cuidando de produzir os sentidos certos contribuindo eficientemente para o desenvolvimento da organização.

Para entender a dinâmica do Twitter e as práticas nas redes sociais

O que mais tenho visto na internet são pessoas tentando explicar as funcionalidades do Twitter ou tentando descrever boas estratégias a fim de auxiliar aqueles que não fazem idéia de por onde começar, mas que estão tentando apreendê-las. Acredito que essas tentativas sejam válidas, tanto de um lado, quanto do outro. Porém, creio que estejam pulando uma etapa importante, que é a de compreender como se chegou nesse ponto em que "Tuitar é preciso", a que se deve essa cultura de interação online, e como essa prática pode (ou deveria) ser usufruída pelas organizações.
Foi pensando nisso que percebi que algo sobre o sucesso do Twitter. Lembrei de como se formou a cultura de “criar uma comunidade” no Orkut. Percebi que a apropriação dessa ferramenta foi a mesma que desencadeou o sucesso do microblog. Lembro de vários “orkuteiros” que ao viverem uma situação inusitada, diziam: “vou criar uma comunidade sobre isso” e de fato o faziam e, quando a idéia era muito boa, a comunidade ficava popular rapidamente. Foi assim que surgiram aquelas comunidades mais clássicas de “Odeio...” e “Amo...”. Isso denota a necessidade que as pessoas têm de expressar o que sentem “eternizando” (ainda que muitas pessoas não se dêem conta disso) a sua opinião na web, para que todos a conheçam de alguma forma.
Partindo desse pressuposto fica bem mais fácil compreender o sucesso do Twitter. Pense: mensagens curtas, sobre determinada situação, sentimento ou notícia, expressada por uma pessoa e que pode facilmente ser reproduzida por tantas outras, permitindo réplicas e tréplicas (e até processos judiciais, dependendo do conteúdo do comentário), fazendo-se notar num espaço comum.
A diversão máxima para muitas pessoas no Orkut sempre foi colecionar comunidades que dissessem tudo no título, ou no máximo nas primeiras linhas da sua descrição. Entendo esse comportamento como uma necessidade do indivíduo de dizer quem ele é, expressando como se sente, do que gosta ou não, ou o que pensa.
Sob esse ponto de vista, o Twitter era uma necessidade latente e veio para atendê-la. A (des)vantagem desta ferramenta é que, além de noticiar para toda rede as suas impressões, o usuário tem uma timeline curta, que dá a ilusão de que em pouco tempo, com o passar dos dias, os seus posts se perderão na memória dos leitores. Porém, essa “construção” online deixa rastros muito mais fortes do que no Orkut, visto que vai delineando a personalidade do usuário através do tempo em seus discursos. Mas, é verdade também que pela timeline ser curta e a quantidade de informações circulando muito intensa, muitas idéias (boas ou ruins) acabam se perdendo.
Lançando mão da visão de “puro entretenimento” dessas mídias, penso que esses são espaços de muitas oportunidades profissionais. Entretanto, que exigem conhecimento empírico unido ao de estratégias de comunicação muito bem definidas. Algumas delas eu aproveito para descrever a seguir.
A lógica salta aos olhos e a palavra mágica é “construção”. O sucesso de um perfil numa rede social mediada por computador vai depender de quão bem elaborada for a atuação, de quão bem adequado está o discurso e as interações de um usuário naquele meio, entre as pessoas que ele estiver atraindo. Essa última afirmação, inclusive, demonstra que é preciso saber quem se quer conquistar para um perfil e então planejar o que dizer. Ou seja, definir a estratégia é fundamental.
Além disso, se o perfil que deseja atrair olhares online for de uma empresa, ela precisará abrir mão da sua posição de “pessoa jurídica” e “ser” uma pessoa comum. Empresa e públicos precisam compreender/sentir que existe uma pessoa por trás da máquina, que é a sua representação online. Essa humanização é requisito básico nas “redes sociais”, porque é um espaço de pessoas que se relacionam. A rede tem regras, as quais devem ser respeitadas. Elas dizem respeito a condutas muito simples: envolve “quem diz o que para quem” (do bom e velho Laswell) somados a “quando” e “porque”.
E aqui chego a mais uma palavra chave para o planejamento nas redes sociais: “porque”. Quando a proposta de um perfil é clara, o conteúdo adequado e relevante, os seguidores, cientes do seu propósito o seguirão porque se identificam com ele. Esse posicionamento desperta para a resposta daquele problema que levantei anteriormente "qual a freqüência certa para o Twitter?", por exemplo. O que percebo é que quando a proposta do perfil é coerente e adequada, as pessoas não só retuitam as informações recebidas, como tecem comentários readequando-as para compartilhar em sua rede. Esse hábito potencializa a informação tuitada, uma vez que ao ser adaptada para outro perfil de público, a mensagem sensibilizará um número maior de pessoas para aquele tema.
O que pretendi mostrar nesse artigo é que a socialização para fins profissionais, seja através da comunicação direta, pessoal, ou por meio do computador, requer experiência. É preciso entender o processo de formação das redes sociais na internet, não só a linguagem, mas também as suas regras, suas tendências, para que estratégias de comunicação dêem certo. O olhar do comunicador para o meio digital precisa distanciar-se daquilo que ele está habituado, precisa resgatar as suas formas pessoais de relacionamento. Ele precisa, acima de tudo, estar ambientado com esse meio para conseguir juntar o seu conhecimento de comunicação e convertê-la adequadamente para a interação online.

Porque o Orkut não vai morrer tão cedo…

Relendo o texto publicado por Dennis Altermann sobre a “morte do Orkut”(aqui) lembrei-me de alguns comentários feitos por palestrantes no “Get follow”, evento realizado na FABICO (UFRGS) este ano (mais informações). Nessa ocasião, ao contrário do título do texto do Dennis que diz “O orkut vai morrer (…)” ouvi deles que o Orkut já estava morto, quando na verdade o Orkut está mais vivo do que nunca. O que está acontecendo de fato é que aqueles que estudam redes sociais estão migrando para outras redes.

O que vejo é que, ao se manterem atualizados, esses “profissionais” vão abandonando as redes já “dominadas” e passando a explorar as recém surgidas, ou que ainda representam algum desafio em termos de estratégias. Assim, esquecem-se de que temos no Brasil muitas pessoas que ainda acessam a internet em Lan Houses e que estas, assim como várias outras que recém ingressaram na web, têm o Orkut como referência. Afinal, essa foi a primeira grande rede popularizada e é ela que, ainda, consegue reunir famílias, amigos, ex-colegas de escola e/ou de trabalho por ser uma mídia que não exige acompanhamento constante. É perfeito para quem acessa a internet esporadicamente, quando sobra um tempinho ou uns trocados. Prática sem sentido para o Twitter, por exemplo, ou para o Facebook, já que os dados da timeline não são tão fáceis de se resgatar depois de algumas horas, quem dirá depois de alguns dias, dada a sua característica “imediatista”.

Além disso, vale lembrar que o Twitter, por exemplo, não deixa “marcada” tão fortemente a existência do usuário como o Orkut, onde ele tem um perfil “estático” que pode deixar propositalmente “rastros” para serem seguidos. Além do mais, o Twitter exige a produção de conteúdo e, como mostram as pesquisas de comportamento, a maioria dos internautas só consome e/ou repassa informações. Ok, para esses casos existe a chance do usuário seguir muitas pessoas e retuitar todas elas, mas isso não traria seguidores, nem capital social na rede, como a oferecida pelo Orkut, o que a tornaria desinteressante para ele.

No “Get Folow” defenderam o Facebook como substituto do Orkut. Realmente muitas pessoas têm migrado para essa outra rede. Contudo, a maioria delas não abandonou o perfil do Orkut. Isto porque é nele que as relações estão formadas, é lá que estão as comunidades em torno de algum tema de interesse pessoal, é onde os usuários já são milionários nos jogos disponibilizados pelo sistema e assim por diante. Ou seja, existem “n” motivos para que eles mantenham o seu perfil do Orkut, ainda que venham a participar de outras redes.

Outro ponto negativo sob o ponto de vista dos usuários é a interface do Facebook, o qual tem praticamente todas as funcionalidades do Orkut, porém com uma linguagem que se assemelha a do Twitter, com a timeline, complicando a navegação do usuário inexperiente e o acompanhamento das ações dos seus “amigos”. Eles entram no Facebook com a lógica simples que aprenderam no Orkut e, obviamente, confundem-se e acabam desistindo.

O que quero salientar com esse texto, não é que o Orkut terá vida eterna, muito menos que as pessoas nunca se adaptarão ao Facebook, por ele se utilizar de uma linguagem diferente. Mas que o Orkut tem a vantagem de ser o precursor no Brasil e, portanto, ter uma parcela de pessoas que se mantêm na sua base de dados para não perder contatos. Além disso, “ensinou” o usuário a “fuxicar” e interagir na web a sua maneira, popularizando-se de forma muito particular. A prova disso é o número de comunidades criadas a cada alteração do sistema, as quais têm aproximado a sua linguagem a do Facebook descontentando muitos dos seus usuários.

Então, é claro que Orkut pode vir a morrer, mas discordo dos que afirmam que ele “já era” e pelos motivos antes mencionados, penso que o fim ainda esteja longe.

"Crie um diferencial" - Como atuar nas redes sociais

Recentemente foi publicado no blog do Campi Digital um texto de Pablo Souza intitulado “Twitter corporativo: sou um “vendedor” chato ou atento ao meu público?” no qual ele fala sobre a atuação das empresas no Twitter [Leia o texto completo clicando aqui]. 
Escrevi um comentário sobre o texto dele aprofundando um dos pontos abordado e o texto ficou tão longo que resolvi publicá-lo aqui no blog.

O post antes mencionado é um excelente "guia" para os desorientados sobre como atuar nas mídias sociais, cada um dos pontos identificados no post do Pablo é fundamental para que uma empresa seja "pertinente" dentro das redes sociais. Entender a dinâmica e como o seu público-alvo interage ajuda a definir a estratégia, o que só é possível, obviamente quando se tem objetivos claros, o que vai permitir, conseqüentemente, que me mensure os resultados.

Entretanto, dentre esses pontos, o que destaco é aquele que nesse momento, em que todos querem o seu espaço na rede, acredito ser tão ou mais relevante do que os demais: “Crie um diferencial”.

O que se pode perceber ao visitar blogs, "Fan Pages" ou perfis de Twitter corporativos é que todos estão fazendo as mesmas coisas, e do mesmo jeito. Seja como um "Vendedor Chato" ou "atento ao público" poucos estão se preocupando, de fato, em fazer algo que os diferencie no meio virtual contribuindo para a sua reputação. Ora! Ser apenas “mais um” não trará qualquer vantagem para uma empresa em relação aos seus concorrentes. Pelo contrário, entendo que essa postura afastará os usuários tanto de uma quanto de outra.

Sendo assim, não adianta oferecer promoções para aumentar o número de seguidores ou de fãs, se fora do período promocional tudo o que a empresa tem a oferecer é "ofertas" como aquelas distribuídas em panfletos nas ruas ou que são afixadas nas paredes de um super mercado de bairro. Já em outros textos falei sobre isso, da tendência que as empresas têm de transpor as mesmas práticas "de sempre" para as redes sociais, o que é muito chato.

Por esse motivo é importante "entender a dinâmica" desse ambiente, pois só assim será possível verificar o que já se faz, a fim de evitar ser repetitivo, e o que se pode fazer para neutralizar ações de concorrentes destacando-se e atraindo, assim, mais "seguidores", fãs ou visitantes.

É claro que essa não é uma tarefa fácil, e por isso não é indicado colocar qualquer um para planejar e desenvolver esse trabalho. É preciso um profissional alinhado com os objetivos da organização e, além de tudo, experiente e responsável. Tarefa que pode ser realizada por uma terceirizada, e como mencionado pelo Pablo, sempre com um acompanhamento da própria empresa, a fim de garantir que o trabalho está sendo realizado de acordo com os objetivos que foram propostos.

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