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quinta-feira, agosto 18

Desprenda-se do digital, do Marketing, concentre-se nas pessoas.


Este texto pretende apresentar o case “Bicho de Rua”. Um trabalho realizado na ONG Projeto Bicho de Rua, na qual pessoas estão trabalhando pelo bem estar animal. Experiência que propicia a reflexão para o uso das ditas “mídias sociais”, caracterizando-as apenas como ferramentas para atingir pessoas. Logo, o texto servirá não apenas como exemplo a outros projetos desenvolvidos no terceiro setor, mas também aos demais trabalhos desenvolvidos por profissionais de comunicação que atuam em ambientes digitais.

Da minha experiência em comunicação nos ambientes digitais, sempre percebo o óbvio: que não se tratam das mídias que se utiliza para formar as redes de influência. Como disse Sonia Grisolia: “Tudo começa e termina nas pessoas e suas ideias. O resto é apenas meio”. O que me pergunto é: porque o que nos parece tão óbvio, parece tão complicado para tantas outras pessoas?

Costumo pensar nas redes sociais mediadas por computador como um meio que reúne, agrupa e organiza correntes ideológicas. Cada um de nós possui uma bagagem sem medida de experiências, expectativas, cotidiano, e um sem fim de idéias formadas, ou por formar, em nossas mentes. E o que faz mover essas correntes, perturbando as idéias, é a paixão. Só este sentimento é capaz de motivar as pessoas a iniciarem ou inflarem um diálogo em que todos falam para todos, em que poucos ouvem ou se deixam influenciar. É a paixão que faz de uma pessoa uma mídia, capaz de envolver e atrair outros, e outros, e cada vez mais apaixonados aproximando-os de uma causa. Esta causa pode ser o amor pelo cinema, pelo futebol, pelo que for, pouco importa o quê. Contanto que naquele ambiente “um indivíduo” possa fazer parte de algo maior, e que este algo seja o que ele precisa naquele momento – de uma piada, a um protesto.

Ao voltar o nosso olhar do digital para o mundo “offline”, percebe-se que aquele ambiente é feito pelas mesmas pessoas com quem trabalhamos, estudamos ou que encontramos nos elevadores de prédios comerciais. São pessoas comuns – o mundo dito “digital” nada mais é do que um meio em que as pessoas podem se reunir sem precisar deixar a sua vida “offline” suspensa. Isso quer dizer que os públicos, independentemente do nicho de mercado da empresa, está participando de alguma rede e que é importante as empresas estarem atentas? Não! Isso significa “apenas” que todas as pessoas são movidas por alguma paixão. Assim, o sucesso de uma empresa que se proponha aconquistar o seu cliente (isso independe do meio), precisa compreender, conhecer ou, no mínimo, se preocupar e respeitar esta condição.


Aprenda com as ONGs!

Na ONG Projeto Bicho de Rua, por exemplo, o que se quer é distribuir animais para adoção. Se quer que as pessoas doem dinheiro, o seu tempo, o seu RT, que “curtam” suas publicações por “nada”. É como no marketing comercial, só que neste caso, a troca é por satisfação. Quem ama os animais doa tudo o que puder e sempre acredita que deveria fazer muito mais.

E como a Bicho de Rua arrecada dinheiro, objetos, comida, como consegue adoção para os animais? Dialogando. Construindo relacionamentos verdadeiros, hora com muito bom humor, hora compartilhando uma história triste, mas sempre mostrando uma solução para o problema. Através do perfil de uma ONG, as pessoas podem e geralmente são, humanas. Admitem o erro, perguntam, ouvem, observam o que as pessoas querem, e procuram atender a essas necessidades. Percebem? Isso é marketing. Porém, um relacionamento que não visa exclusivamente o lucro de quem vende, mas que respeita e que se preocupa em atender a necessidade de quem compra.

É bastante comum ver ativistas radicais em ONGs mostrando apenas o lado ruim de tudo, oferecendo quase nada além das mazelas em troca de piedade – e conseguem. As pessoas morrem de pena, mas pouco contribuem. Não podem acreditar que o pouco que elas podem vá fazer alguma diferença. O trabalho do Bicho de Rua diferencia-se por oferecer o que as pessoas querem ver: quem gosta de animais, quer vê-los saudáveis, quer saber que cada adoção é importante, que cada anúncio é essencial, e que prestar atenção ou ter piedade não basta, ela precisa reagir: dar um RT, curtir, comentar, oferecer, sugerir… E quando isso acontece, as pessoas se identificam, sentem-se felizes por ajudar como podem, e ajudam.

A programação de posts e tuítes pelos perfis da ONG é produzida constantemente observando o problema (as necessidades dos animais), e a resposta dos públicos a cada interação, visando a solução deste problema. Foi assim que se percebeu que a piedade comove, mas o que mobiliza as pessoas é a paixão. Então, é preciso envolvê-las no processo. Desde o princípio foi-se mudando a estratégia para manter a atenção e as doações. A medida certa ainda não foi, e nem deve ser encontrada. Mas, a cada correção, percebe-se a diferença pelos resultados que se obtém.
E neste ponto, as ONGs precisam aprender com o Marketing Comercial: é preciso estabelecer um objetivo claro e fazer um diagnóstico completo para saber de onde se partiu e depois avaliar os resultados. Pois é o acompanhamento e a avaliação constante que garante a mudança na hora certa e os melhores resultados. Ou seja, o trabalho nos meios digitais não deve ser engessado, pois a rede é feita por pessoas – não se trata de uma equação exata.


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